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Em entrevista exclusiva, Rui Galdino diz que apoia Caiado e que Senado precisa ser respeitado – Por Nonato Guedes

Em entrevista exclusiva, Rui Galdino diz que apoia Caiado e que Senado precisa ser respeitado – Por Nonato Guedes

O advogado e jornalista Rui Galdino, oriundo de uma família com raízes no Vale do Piancó, é pré-candidato ao Senado pelo PDT, partido que, segundo assegura, ajudou a fundar há 40 anos no Estado, considera-se “independente” e garante que apoiará a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (centro-direita e PSD) à Presidência da República.

Rui Galdino já foi “brizolista” (apoiador do ex-governador Leonel Brizola), chegou a votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente, foi um dos primeiros a abraçar a candidatura de Jair Bolsonaro ao Planalto e revela que se decepcionou com o ex-presidente e com o bolsonarismo.

Segundo ele, o bolsonarismo cometeu um grave erro ao indicar o senador Flávio, filho do ex-presidente da República, para substituí-lo no páreo, devido à sua inelegibilidade e pena de prisão que ainda cumpre por alegado envolvimento em atos antidemocráticos.

Avalia que Flávio, na sua recente visita a João Pessoa, durante evento do PL na “Domu’s Hall” não demonstrou postura de “presidenciável”, nem tem feito uma abordagem profunda dos problemas do país, além de ter se envolvido ultimamente em insinuações sobre ligações com o Banco Master e com Daniel Vorcaro para financiamento da produção de um filme sobre a trajetória do pai.

O PDT, conforme reconhece Rui Galdino, está dividido na questão da disputa presidencial, com uma facção hipotecando apoio à candidatura de Lula à reeleição. Ele disse ter sido liberado por dirigentes da agremiação, contudo, para “fechar” com Caiado, com quem já esteve em algumas oportunidades e que considera talhado para representar os interesses da direita.

O partido de Rui, a nível estadual, está na base do pré-candidato a governador Lucas Ribeiro, do PP, mas também divisões, com preferências por Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL).

Crítico ferrenho da polarização Lula versus Bolsonaro no cenário político-eleitoral brasileiro, que classifica como “um câncer” para a democracia, Rui Galdino exalta qualidades de Caiado como administrador, a partir de resultados positivos exibidos em Goiás e que lhe renderam índices de aprovação popular. “

O modelo de transformação de Goiás é um exemplo que Ronaldo Caiado deve mostrar para todo o Brasil, especialmente no combate à violência”, assinala.

O jornalista e advogado faz críticas ao Judiciário, especialmente, ao Supremo Tribunal Federal, e ao próprio Congresso Nacional, critica a atual bancada federal paraibana e fala na desigualdade de concorrer a uma eleição majoritária.

Mas acredita que poderá superar os obstáculos com uma mensagem renovadora, baseada em propostas de interesse da Paraíba e de todo o país.

“Espero conquistar uma das cadeiras em jogo para o Senado, uma instituição que se desmoralizou e que precisa voltar a ser respeitada no país”, emendou ele.

A ENTREVISTA

Quais as razões que o levaram a disputar o Senado, num cenário bastante competitivo como o deste ano, na Paraíba?

Primeiro, a falta de boas opções, na Paraíba, daqueles que querem chegar ao Senado. Precisamos colocar à disposição do eleitor novos nomes, sangue novo, para evitar o que vem acontecendo – a “cartelização” das mesmas pessoas, em rodízio, as mesmas famílias, os mesmos políticos, aqueles feudos que existem na Paraíba, onde esse povo briga entre si, divide-se para vencer e não deixar ninguém novo chegar, ter oportunidade de disputar eleição, de vencer no voto.

Então, eu prego exatamente a renovação de pessoas e de ideias para que possamos mudar os destinos da política paraibana e brasileira, principalmente com relação ao Senado Federal, que hoje deixa muito a desejar.

Em termos de alinhamento político, tanto no plano nacional como no plano estadual, como o senhor se situa?

Meu caso, na Paraíba, é um caso “sui gêneris”, porque eu sou filiado ao PDT há mais de 40 anos (e pouca gente sabe disso), e estou defendendo a pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República.

Quem fundou o PDT na Paraíba em 1984 foi Rui Galdino. Era jovem, ainda iniciando meu curso de Direito e lá atrás eu conheci o saudoso Leonel Brizola, que era governador do Rio de Janeiro, foi governador do Rio Grande do Sul, candidato duas vezes à Presidência da República.

Então, fizemos uma amizade lá atrás, e nas vezes em que Brizola vinha á Paraíba ficava hospedado na casa de meu pai ou na casa do ex-deputado Francisco Evangelista. Durante muito tempo fui secretário do partido no Estado, fui vice-presidente, temos uma história no PDT. O PDT foi o maior partido na história da Paraíba, passou uma fase de ouro, já teve quatro deputados federais e nove deputados estaduais, bem como inúmeros prefeitos, vice-prefeitos, centenas de vereadores.

Só não chegou a ter governador mas disputou o governo do Estado com o ex-governador Wilson Braga, disputou Senado, já teve a prefeitura de João Pessoa, na figura de Chico Franca, então era um partido fortíssimo em nosso Estado.

Depois, infelizmente, com o tempo, o PDT foi diminuindo a sua força política e quase que estacionou. Agora, depois de muito tempo, tenta ressurgir das cinzas na Paraíba, onde está quase zero, embora, a nível de Brasil esteja quase bom. Há 15 dias houve um congresso estadual do PDT em João Pessoa, veio gente de todas as regiões, e eu fui convidado a participar desse congresso.

Lá chegando, para minha surpresa, o meu nome foi colocado como candidato ao Senado. Não estava nem pensando nisso, nunca fui candidato a nada, sou jornalista, advogado, que trabalha em outras áreas. O fato é que a plateia toda me aplaudiu de pé e lançou meu nome como pré-candidato ao Senado. Diante desse movimento todo, não tive como recusar.

Aceitei o desafio e hoje sou pré-candidato para começar uma nova fase política no PDT. Mas há uma diferença. Sou eleitor declarado do presidenciável Ronaldo Caiado, que é de centro-direita e filiado ao PSD. Já fui bolsonarista lá atrás, fui o pioneiro na defesa de Bolsonaro em nosso Estado quando ganhamos aquelas eleições presidenciais.

Depois, o bolsonarismo começou a fazer besteira e eu me afastei. Hoje sou ligado ao ex-governador Ronaldo Caiado. Só que o PDT, a nível nacional, apoia Lula, e eu, numa conversa com a direção estadual, disse que uma das condições para aceitar ser candidato a senador é ser liberado no voto para presidente, porque não acompanho Lula, em quem já votei no passado. Eles (os dirigentes) aceitaram meu apoio a Ronaldo Caiado, meu nome está posto como pré-candidato e vai ter muita novidade.

Qual a estrutura que o senhor poderá dispor para empalmar uma candidatura majoritária?

Já estou andando em algumas cidades, fazendo divulgação e contatos. Lógico que não tenho a estrutura financeira e econômica dos meus adversários, que possuem emendas parlamentares, têm dinheiro e mais dinheiro das propinagens e corrupções que acontecem neste país (a gente não consegue provar mas sabe que existe).

Alguns dos meus adversários já foram governadores, são senadores, outros são ex-prefeitos, ex-ministro da Saúde, então, eles têm estrutura financeira e econômica, já tiveram cargos, foram donos de canetas, deram emprego a muita gente, já pintaram o sete e desenharam o oito. Para concorrer com eles, é muito difícil do ponto de vista financeiro, porque, além do mais, eles têm o Fundo Eleitoral, o chamado Fundão, que no país, hoje, é de quase 5 bilhões de reais.

É um absurdo, e para disputar uma eleição contra essa gente é uma verdadeira luta de Davi contra Golias, mas a Bíblia diz que Davi venceu Golias, apesar da diferenciação. Eu me considero, modéstia à parte, o Davi dessa guerra que vai se aproximar. O meu slogan da campanha é exatamente este: “O verbo contra a verba”.

Não tenho dinheiro nem estrutura como os outros têm, mas eu tenho o que eles não têm: conhecimento da Paraíba, e também sou ficha limpa, não tenho rabo preso com ninguém, e vou entrar na campanha de peito aberto, levando uma mensagem de renovação, de mudança nos destinos políticos do Estado e do país, contra essa corrupção deslavada que está aí e me parece que virou moda, contra esses demagogos de plantão, contra os que se dizem paladinos da moralidade e não são.

A maioria usa o poder público para se locupletar, não produz nada, vive exclusivamente das benesses do poder e do dinheiro público. Eu, pelo menos, apesar de não ser político, tenho minhas empresas, tenho minha construtora, gero emprego para a Paraíba, produzo alguma coisa, no particular.

Os que estão aí não produzem nada, vivem apenas das benesses e do dinheiro do governo e do poder. Minha mensagem é diferente, é de renovação, de sangue novo, de esperança para uma nova Paraíba e um novo Brasil, porque está tudo errado. Cabe ao povo mudar essa realidade, com novas pessoas, novas candidaturas.

Minha candidatura é uma candidatura independente e quando começar a campanha eu vou com essa mensagem forte contra a corrupção, contra a demagogia, contra os falsos moralistas que existem na Paraíba, contra o crime organizado, contra esse sistema em que a Justiça brasileira se politizou e a política está judicializada. Está tudo errado em nosso país. A roda grande está rodando dentro da pequena, e por isso é que o povo precisa se alertar, saber o que realmente quer.

Eu não vou comprar voto nem a consciência política de ninguém. Tenho a intenção de ajudar o meu Estado e o país. O Senado é uma Casa que deveria ser respeitada, mas hoje está totalmente desmoralizada em nosso país. Senadores com rabo preso com Supremo Tribunal Federal, processos e mais processos, sem coragem de pautar o impeachment de um ministro do Supremo.

Com algumas exceções, o Senado está de cócoras para o Supremo, que está pintando e bordando em nosso país, julgando além da Constituição. O Brasil hoje vive um caos na Justiça e na política, e temos que mudar essa realidade.

Com quem o senhor pretende se aliar na disputa pelo governo do Estado? Ou vai manter equidistância desse cenário?

O meu partido, o PDT, está na base do pré-candidato a governador Lucas Ribeiro. Em termos de coligação, podem acontecer muitas surpresas até a eleição. Eu não sei se o PDT vai continuar na base de Lucas, porque o partido hoje está dividido: uma parte vota em Cícero Lucena, outra parte vota em Lucas e outra parte vota em Efraim Filho.

Mas o partido, em tese, está na base de Lucas.

Outros partidos também estão divididos, como o PT, que tem uma parte com Lucas, outra parte com Cícero. A Paraíba, igualmente, vive uma bagunça do ponto de vista político e ideológico. Acabou-se a ideologia de antes, em que se seguia uma linha. Hoje isso não existe mais.

Cada partido é como uma empresa privada, que visa o lucro, que tem um CNPJ para ganhar lucros. Eu sou candidato para tentar chegar ao Senado e mudar toda essa realidade. Tem muita coisa para mudar neste país e o Senado poderia ajudar bastante, coisa que não faz hoje.

A maioria dos que se elegem é comprometida com grupos, com empresas, com lobbies, com dinheiro, com propinas. É difícil furar essa bolha, mas eu sou um homem de muita fé, creio que meu nome já tem incomodado muita gente.

Você não imagina a quantidade de pessoas importantes (não vou citar nomes) – juízes, promotores, desembargadores, médicos, empresários, comerciantes, professores universitários, profissionais liberais que me dizem: “Rui, vou votar em você. Agora a gente tem em quem votar” (sic).

As pesquisas que estão aí, compradas ao gosto do freguês, já botam os principais candidatos na frente. Só que essa história vai mudar muito. 60% do povo brasileiro, 58% do povo paraibano, a preço de hoje, ainda não sabem em quem votar para o Senado, e eu estou apostando nisso, apostando numa reviravolta, em que o povo paraibano vai pensar melhor e refletir quando começar o Guia Eleitoral e sentir a nossa mensagem, o nosso programa, os nossos propósitos em defesa do Estado, de forma correta e honesta, sem safadeza, em linha reta, como a minha vida sempre foi.

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Tenho uma vida tranquila, simples, mas tenho os pés no chão. Quero fazer algo de bom para o meu Estado, para o povo paraibano e para o país, no Senado Federal. Se Deus quiser, uma das duas vagas para o Senado vai ser de Rui Galdino

O senhor já conversou com Ronaldo Caiado sobre sua candidatura e uma provável agenda dele na Paraíba?

Sim, eu já tive quatro reuniões com o presidenciável Ronaldo Caiado, antes da minha pré-candidatura e depois. Conversei com ele na semana passada em São Paulo, vamos ter uma nova reunião na próxima semana, em Brasília, ele está ciente da minha pré-candidatura, vai me ajudar no que for possível, dentro da legalidade, da lei eleitoral, e aqui na Paraíba vamos defender a sua bandeira e estamos já organizando uma agenda para ele cumprir na Paraíba, inclusive, concedendo entrevistas a algumas emissoras de rádio e televisão.

O que lhe levou a se decepcionar com o bolsonarismo?

Quem trouxe Bolsonaro para a Paraíba, modéstia à parte, fui eu. Quando ninguém sabia quem era Bolsonaro, ele estava lá atrás, sem o devido conhecimento, eu trouxe Bolsonaro para cá na primeira vez.

Depois, o nome de Bolsonaro começou a crescer e foi aquela loucura toda, aí começou a chegar muita gente e Bolsonaro começou a abandonar os seus verdadeiros amigos originais, do princípio, da base. Elegeu-se presidente, nos deu as costas, preferiu ficar ao lado de Centrão, de outras pessoas que sequer votaram nele.

E eu me senti desprestigiado, abandonado, não tinha mais como continuar apoiando o bolsonarismo. Eu me afastei, conheço bem o ex-presidente Jair Bolsonaro, sei que é um homem sério, honesto, mas ele é um homem que se perdeu depois de eleito, foi mal assessorado. Está aí o resultado, hoje, todos sabem.

Um homem que sequer conseguiu a sua reeleição para presidente, foi o primeiro presidente do país que perdeu a reeleição na presidência da República, tamanha estava a desorganização dentro do bolsonarismo. E eu vendo tudo isso calado, sequer fui chamado ou consultado sobre o que era preciso fazer.

Eles me abandonaram, por isso me recolhi, me afastei. Na verdade, eu tenho muita pena de Bolsonaro, por tudo que ele tem passado. Mas, nesse período da inelegibilidade de Bolsonaro conheci o ex-governador Ronaldo Caiado, fizemos uma amizade boa, temos um relacionamento muito bom, graças a Deus, e vamos tocar para a frente. O que me afastou do bolsonarismo foi a falta de atenção.

Ronaldo Caiado foi candidato a presidente em 1989 e, desde então, manteve-se mais ligado à política em Goiás. O senhor acha que, passado esse tempo, ele tem chances ainda de firmar uma imagem em regiões como o Nordeste?

Tem, e uma das conversas que tive com ele foi exatamente sobre isso. Em 89, quando Caiado foi candidato a presidente, ele era muito novinho e havia 15 candidatos à Presidência. Naquele tempo eu conhecia Brizola e votei nele.

Mas Caiado sempre manteve uma coerência na sua história política. Ele sempre foi de centro-direita, sempre combateu o PT, o MST, as invasões de terra, presidia a UDR, que ele criou lá atrás. Ele é um grande fazendeiro na área agropecuária em Goiás, então é um homem independente, sério, honesto, de pulso.

Agora é candidato a presidente da República na sua mesma linha de atuação. É a verdadeira oposição ao PT, os outros são só arremedo de oposição. Depois, ele foi deputado federal, senador, governador de Goiás por duas vezes, tem aprovação em Goiás de quase 90% da população, revolucionou o Estado de Goiás e foi atuante no combate à violência e na defesa de investimentos na saúde, na educação, na infraestrutura, nos programas sociais.

Goiás hoje é um Estado quase cem por cento seguro. Ele fez um governo para ninguém botar defeito, e isto é o que ele tem para mostrar ao país.

Ainda não está bem nas pesquisas porque não é conhecido no Nordeste. É conhecido no Centro-Oeste, no Norte, no Centro-Sul e Sudeste. No Nordeste, tem essa predominância da esquerda, do lulismo, que foi que elegeu Lula na última eleição.

Eu disse a ele que ele precisa ser melhor conhecido no Nordeste e ele agora está organizando uma agenda para visitar os Estados do Nordeste, vai vir também à Paraíba e faremos uma mobilização a nível de Nordeste para que ele fique mais conhecido, porque, quem conhecer Caiado, vota no Caiado. Do jeito que este país está, só um homem como ele tem condições de mudar a realidade brasileira. Outros não têm.

Esses escândalos todos, de INSS, Banco Master, vão atingir personalidades políticas importantes, inclusive, da Paraíba, o que poderá mudar a realidade no Estado e no Nordeste.

Qual sua opinião sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), ungido como herdeiro pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro?

Como disse antes, fui um bolsonarista de carteirinha, conheci de perto todos os filhos de Bolsonaro. Quando Bolsonaro tornou-se inelegível, o meu candidato passou a ser o ex-governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, só que ele não quis ser candidato, preferiu a reeleição.

Mas seria o único candidato capaz de unir a direita toda e vencer a eleição no primeiro turno. O ex-presidente, num ato tresloucado, lança seu filho como candidato. Eu achei um erro tremendo, não porque seja seu filho, mas porque, numa situação em que o país está dividido, lançar um filho, tendo outras opções melhores na direita, não era a solução. Ali demonstrou o poder familiar querendo continuar no poder político. Ninguém pode se prender a projeto de poder familiar.

Nós temos que ter um projeto de poder para o país. Flávio começa a mostrar o que realmente é. Chegou aqui na Paraíba, no evento na Domu’s Hall, eu estava presente, fui olhar como jornalista, fiquei com vergonha. Ele entrou no palco, parecia um louco, transtornado, dançando, pulando, feito um funkeiro louco. Isto não é postura para quem quer ser presidente da República.

Depois, envolvido aí nessa questão, que ele não explicou, do Banco Master, com Vorcaro, sobre dinheiro para o filme do pai, e tem envolvimento com as rachadinhas no Rio de Janeiro quando era deputado, envolvido, também, com o escândalo da mansão que ele comprou em Brasília e mais outras coisas que vão vir. Então, isso não dá.

Não é o candidato ideal que a Paraíba precisa e quer. Temos que ter candidatos de reputação ilibada, sem manchas. O Brasil não pode mais estar votando nesse tipo de gente. Eu sou um crítico dessa candidatura, acho que foi um erro, a tendência é piorar, a gente tem que ter calma com isso, eu não voto em Flávio mas em Caiado, mas, quem sabe, possamos estar juntos no segundo turno, na vitória de Ronaldo Caiado? É o melhor caminho para o Brasil.

Qual sua opinião sobre o perfil do presidente Lula, que vai tentar mais uma recondução ao governo?

Eu já disse que lá atrás votei em Brizola, mas também, com o tempo, como cidadão, como brasileiro e nordestino, eu votei em Lula, duas ou três vezes. Mas eu votei naquele Lula que tinha uma história bonita, com aquele filme intitulado “O Filho do Brasil”. Eu chorei vendo pela televisão a posse de Lula quando foi presidente da República pela primeira vez.

Fiquei emocionado de ver um nordestino, um cara que veio debaixo, de movimentos trabalhistas, independente de PT, chegar lá. Mas Lula, com o tempo, se desgraçou também, se envolveu com gente que não presta, parecendo que esse povo, quando chega no poder, enlouquece, perde a noção, perde a bússola do que era antes.

Então você vê em governos Lula escândalos e mais escândalos, corrupção, mensalão, petrolão, a prisão de Lula. Ele voltou ao poder e se elegeu porque Bolsonaro fez besteira. Essa polarização entre Lula e Bolsonaro, Bolsonaro e Lula, é um câncer, que está acabando com o país, dividindo as pessoas, as famílias, os amigos. Isso não pode continuar.

Ninguém está, de verdade, pensando no povo. As elites estão pensando no poder, para se locupletar, beneficiar-se em causa própria, e viver disso. Acho que o eleitorado não optar por Ronaldo Caiado, nada mudará.

O senhor tem convicção de que a polarização pode ser quebrada na eleição deste ano?

Eu tenho esse sonho, tenho essa esperança, tenho essa perspectiva. Essa polarização não pode continuar. Espero que Ronaldo Caiado quebre essa polarização. Aí vem a questão de vice.

Na minha opinião, um grande nome para vice de Ronaldo Caiado seria Michelle Bolsonaro, do PL, uma mulher dinâmica, muito capacitada, mas os filhos de Bolsonaro não querem a Michelle, querem alguém consanguíneo. Eu disse ao governador Caiado que Michelle Bolsonaro era a melhor vice para ele.

Não sendo possível, o segundo melhor vice para ele seria o Romeu Zema, de Minas Gerais, e não sendo possível, se fosse do Nordeste, temos dois nomes que eu sugeri também a ele: o Ciro Gomes, que já é candidato a governador do Ceará e, da Paraíba, o nosso senador Efraim Filho, que é pré-candidato a governador.

Este é meu pensamento, mas a decisão não depende de mim, é claro. Em último caso, o vice de Caiado pode ser o próprio Gilberto Kassab, que é o presidente nacional do PSD, muito articulado e que teria condições de articular melhor o PSD em todo o país, porque o PSD, na grande maioria dos Estados, vota em Lula. O feito tem que ser chamado à ordem, para uma unificação.

A seu ver, no atual governo, o presidente Lula esqueceu um pouco o Nordeste como prioridade?

Não esqueceu pouco. Não, esqueceu muito o Nordeste. Lula, na idade em que está, não quer saber de mais nada. Só quer saber de namorar com a Janja, no Brasil e no mundo, gastando o dinheiro do brasileiro, rasgando os cartões corporativos. Lula não está governando este país. Quem governa são os assessores, os ministros.

Ele é uma figura simbólica. E no dia em que o PT perder Lula, acabou o PT, não tem mais ninguém. Então, estão usando Lula numa simbologia para manter o partido em pé, porque sem ele, não existe. Então, é uma grande liderança, mas a idade, o cansaço, não dá mais. Lula é remédio vencido.

Se a nossa centro-direita não se unir, não acabar com seus orgulhos ou vaidades bestas, questões familiares, vai terminar perdendo a eleição para Lula. Agora, que Lula prometeu mundos e fundos para o Nordeste e a Paraíba, é verdade. E não fez nada.

Aqui, os famosos PACs (Programas de Aceleração do Crescimento) acabaram. Cadê as obras estruturantes do governo federal na Paraíba? Lula pode até continuar vencendo no Nordeste mas a votação dele vai diminuir bastante por causa disso.

Fonte: Nonato Guedes
Créditos: Polêmica Paraíba