A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), por meio da Coordenação da Saúde da Criança e do Adolescente, em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realiza, nesta terça-feira (7) e quarta-feira (8), na sede da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (FUNAD), em João Pessoa, a 3ª Oficina de Fortalecimento da Linha de Cuidado para Crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus e suas famílias. A atividade integra o projeto nacional “Primeiros Passos” e tem como foco qualificar a rede de atenção e organizar o cuidado ofertado a esse público no estado.
A programação dá continuidade às etapas anteriores da agenda “Ação Zika nos Territórios” e reúne profissionais da saúde, gestores, representantes de municípios e atores locais. Nesta etapa, o trabalho está centrado no acompanhamento das ações já propostas, na análise dos desafios identificados nos territórios e na construção de estratégias que devem orientar a organização da rede de cuidado na Paraíba.
De acordo com a coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente da SES-PB, Tatiane de Jesus, o principal objetivo é estruturar o funcionamento da rede para garantir atendimento mais efetivo às famílias. “A proposta é criar fluxos e fazer esses fluxos funcionarem na rede, para beneficiar as famílias e, principalmente, as crianças”, afirmou.
Durante os dois dias, os participantes discutem o acesso das famílias aos serviços, o acompanhamento dessas crianças ao longo do desenvolvimento e a integração entre atenção primária, especializada e vigilância. As atividades incluem rodas de escuta com profissionais e familiares, apresentação de experiências dos municípios e dinâmicas em grupo para levantamento de necessidades e definição de prioridades.
A oficina também tem como objetivo subsidiar a construção de conteúdos para uma capacitação em formato EAD, voltada à Atenção Primária à Saúde, além de consolidar propostas que serão sistematizadas em um documento estadual. Esse material deve orientar a qualificação do atendimento nos municípios e servir de base para a próxima etapa do projeto, prevista para a 4ª oficina.
A assessora da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde, Renara Guedes, explicou que a atividade integra uma estratégia nacional de fortalecimento da linha de cuidado no SUS. “O trabalho desenvolvido aqui conecta a vigilância epidemiológica, a atenção primária e a atenção especializada, permitindo que os municípios avaliem como essa linha de cuidado está funcionando na prática e como as famílias estão sendo acompanhadas dentro da rede”, afirmou.
Na Paraíba, esse processo se articula com ações já desenvolvidas pela SES-PB, que realiza o acompanhamento dessas crianças na rede de atenção à saúde e busca fortalecer a integração entre os serviços. A proposta é aperfeiçoar fluxos, ampliar a comunicação entre os níveis de atenção e garantir maior continuidade do cuidado às famílias em todas as regiões do estado.
Esse trabalho também dialoga com iniciativas como a Rede Cuidar, que contribui para descentralizar o acesso ao atendimento especializado e reduzir deslocamentos, favorecendo o acompanhamento mais próximo da população.
O fortalecimento da linha de cuidado ocorre em um contexto que exige vigilância contínua das arboviroses. De acordo com dados apresentados durante a oficina, o estado mantém monitoramento permanente dessas doenças, mesmo sem registro recente de casos de Zika, devido aos impactos associados à síndrome congênita.
Para a coordenadora da Atenção à Saúde da Criança, Adolescentes e Jovens do município de Campina Grande, Geuma Marques, o momento permite alinhar práticas e adaptar o cuidado à realidade atual dessas crianças. “Hoje, essas crianças já são adolescentes e precisam de um cuidado mais organizado e qualificado. Esse espaço ajuda os municípios a revisarem suas práticas e avançarem nesse acompanhamento”, afirmou.
A oficina segue até esta quarta-feira (8) e deve resultar em encaminhamentos para a reorganização da rede de cuidado no estado, com foco na melhoria do acesso, no fortalecimento dos fluxos de atendimento e na qualificação da assistência às crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus e suas famílias.







